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quinta-feira, 3 de março de 2011

Entre o comercial e o autoral, desfile de Chalayan divide opiniões


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Still do filme apresentado por Chalayan © Reprodução
O estilista-artista Hussein Chalayan fez um filme para mostrar sua coleção. Chamada de Kaikoku, país aberto, Chalayan continua a explorar o Japão em seu trabalho – a coleção de verão chamava-se Sakoku, país fechado – e sua evolução de um país fechado aos dias atuais, mais aberto a cultura ocidental.
Chalayan é um daqueles profissionais que transitam entre a moda e a arte com o mesmo peso e desenvoltura. Ele nos faz questionar se moda é arte, se arte pode ser moda e, ainda, transforma seus experimentos tecnológicos em moda & arte high-tech. Incansável e sempre com novas idéias para explorar, ele é uma peça rara no mundo da moda.
Para um estilista altamente criativo e inteligente, por trás de tantas apresentações surpreendentes, Chalayan deixa a desejar com sua atual coleção. Isso é o que algumas pessoas defendem. Mas há o outro lado da moeda. Sempre chamado de “conceitual”, ele é muito respeitado, mas sabe-se que está longe de ser um sucesso comercial. E isso, uma pessoa ligada a ele me contou, o incomoda profundamente, como se algo estivesse constantemente faltando em sua vida. Apesar de ter um trabalho autoral, Chalayan também quer vender, estar nas ruas, trabalhar para uma grande empresa e sustentar sua marca, fazendo-a acessível sem perder sua mão. Paixão com business? Sim, esse é o sonho não só de Chalayan, mas de qualquer outro estilista. O que ele tem ninguém tira e ele tem o mais precioso.
Dito isso, essa coleção de 45 looks quase chega lá. Hussein mostra peças básicas e clássicas para o inverno, como calças e casacos, em cores também básicas e clássicas, como branco, marinho, cinza e preto, só que com sua proposta de design, com mangas amplas tipo quimono e uma alfaiataria oversize, aparentemente impecável, que poderia estar em qualquer marca japonesa.
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Looks da coleção de Inverno 2011 de Chalayan
O destaque fica por conta da série de paletós, em especial os oversize. Há ainda casacos com golas altíssimas/protetoras e bolsos grandes, e ainda shapes e sobreposições, que juntos resultam em uma única forma. Tudo perfeitamente usável, certamente não tão ace$$ível, mas ainda com o selo criativo de Chalayan. Um simples paletó que não é um simples paletó. Os vestidos deixam a desejar, em quase passam batidos, com exceção do gran finale, o Floating Dress, um vestido-robô, feito em colaboração com a Swarovski, que é acionado por controle remoto e se mexe sozinho. A peça estará exposta no Musee dês Decoratifs, em Paris, a partir de 9 de julho, na primeira grande exposição sobre o estilista na França.
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Floating Dress, que estará exposto em Paris a partir de julho © Reprodução
Mesmo buscando novas formas de comercializar sua grife ou até mesmo o se estilo, Chalayan mostra que ainda está em forma.
Veja a coleção completa aqui
Veja abaixo o filme com making of de Hussein Chalayan:
Veja o vídeo do Floating Dress:

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