Por Camila Yahn e Cacau Araújo

Após centenas de desfiles em cerca de quarenta dias de temporada internacional, separamos as principais vontades da moda para o Inverno 2011/2012 em um balanção com o que deve pegar na próxima estação.
BOYFRIEND
Não é de hoje que o universo masculino rende ideias para as coleções femininas. Desde Chanel, o movimento da moda foi liberar a mulher, apesar de ainda, vira e mexe, muitos estilistas a prenderem em corselets daqueles de deixar sem ar. Mas nunca uma temporada teve uma identidade “boyish” tão presente. Paletó, terno, camisa, gravata, colete, suspensórios e até sapatos baixos (muitos!) apareceram em parte das coleções. Mas é uma alfaiataria rigorosa, ultrachique e que, em muitos casos, faz pela mulher o mesmo efeito de um vestido justo e decotado. E para o próximo inverno, muitas grifes elegeram o terno como look clássico da hora, daqueles que vão do dia até a noite, combinam com diversos acessórios e agradam a maioria das mulheres. Mais ajustados, em tecidos luxuosos e até coloridos, as passarelas mostram que as mulheres já são donas de um jeito próprio de usar este clássico do universo dos homens.
YSL, Chanel e Dolce & Gabbana
Celine, DSquared2 e Chloé
Jean Paul Gaultier, Alexander Wang e Givenchy
Peter Som, Rag and Bone e Hermès
Burberry, Basso & Brooke e Michael Kors
Giles, Viktor & Rolf e LanvinMULHERZINHA
Nesta temporada sobressaíram looks mais masculinos, com uma avalanche de paletós e peças inspiradas no guarda-roupa masculino. A delicadeza feminina foi invadida por roupas práticas e de poucas cores, em sintonia com a posição da mulher no mercado hoje. Por sorte, alguns estilistas lembram que nem só de briga vivem as moças e brindam sua essência com decotes, cores, estampas e formas em vestidos que ressaltam a silhueta feminina. Tim-tim.
John Galliano, Chloé e Valentino
House of Holland, Miu Miu e YSL
Chanel, Mulberry e IssaCOR
As cores dizem muito sobre as coleções, sobre o momento atual de marcas e estilistas e, muitas vezes, traduzem um mood global. Logo após o 11 de setembro, as coleções em NY dividiram-se entre as negras, que representavam a tristeza e a morte, e as brancas, em um aceno de paz e otimismo em meio a tanto medo. Nesta estação dois blocos coloridos disputaram as passarelas: o das cores vivas e fortes, com amarelo, vermelho, laranja e pink e o dos tons mais fechados, com verdes, violeta, roxo e azul. Apesar da forte presença do preto, esta foi uma temporada bem colorida para uma estação invernal, certamente um sinal de vida nova e ânimo para um mercado que ainda sente os reflexos da crise. Tivesse ela ocorrido após o tsunami no Japão, o resultado deveria ser bem diferente.
Hermès, Carolina Herrera e Burberry
Lanvin, Balenciaga e Giambatista Valli
Ohne Titel, Prada e Proenza Schouler
Givenchy, Miu Miu e Jil Sander
Marc by Marc Jacobs, Mulberry e Tsumori ChisatoINVERNO BRANCO
O branco também esteve presente em diversos tons. Casacões, ternos, vestidos e camisas, muitas vezes em modelagens amplas, que aumentam a sensação de conforto. Cor clara, elegante e atemporal, o investimento nessas peças é acertado, sem data de validade.
Viktor & Rolf, Haider Ackermann e Hermès
YSL, Giambatista Valli e Ferragamo
Calvin Klein, Versace e PradaPRETO
Apesar de ter sido uma estação que destacou a cor e o branco, o preto não ficou de fora (nunca fica). Casacos, peles, sapatos, vestidos, calças, paletós… É uma cor que facilmente comunica sensualidade ou vanguarda. Como sempre, ele apareceu em peças isoladas, ou em looks inteiros.
Isabel Marant, Chanel e Stella McCartney
Alexander Wang, Moncleur e Balenciaga
Junya Watanabe, Alexander McQueen e Vera WangFORMAS
Duas silhuetas opostas disputaram a atenção nos desfiles de Paris, Milão, Londres e Nova York. De um lado, as formas secas, bem próximas do corpo, marcando a silhueta feminina. São mais rigorosas na estrutura e, muitas vezes, rígidas. Do outro, peças volumosas criam uma espécie de forma arredondada nos ombros e quadris, em estilo cocoon.
Stella McCartney, Hervé Leger e Dolce & Gabbana
Louis Vuitton, Celine e Pucci
Rick Owens, Louis Vuitton e Stella McCartney
Peter Som, Proenza Schouler e Giambatista ValliNA CANELA
O comprimento da vez foi o midi, abaixo dos joelhos, com ares “lady like”. Saias e vestidos esbarram no meio da canela, tanto em peças fluídas como em mais ajustadas, resultando em uma silhueta sofisticada, porém que não favorece mulheres mais baixas. Apesar de o midi ser o comprimento-aposta de muitas marcas, o curto não perde a força. Mesmo para o inverno, muitas grifes apostaram nas pernas à mostra _ aquecidas por meias ou bota_ em saias, vestidos ou até casacos usados sem nada por baixo.
Narciso Rodriguez, Ungaro e Basso & Brooke
Tsumori Chisato, Gucci e Vanessa Bruno
Balmain, Isabel Marant e Matthew Williamson
Miu Miu, Marios Schwab e Stella McCartneyDARK
Criaturas estranhas e belas, como que saídas de um filme, atravessaram as passarelas. Na contramão da temperatura morna que regeu a temporada, alguns estilistas investiram em uma beleza misteriosa e dark, com direito a muitas capas, capuzes e botas pesadas. A imagem inverte a noção de beleza regente com foco nas proporções e um rigor absurdo no design. São as novas propostas de estilistas muito criativos, para quem poesia, criatividade e elegância têm o mesmo peso.
Chanel, YSL e Ann Demeulemeester
Junya Watanabe, Chloé e Rick OwensFETICHE
Em uma temporada sem muitos riscos, afinal o mercado (especialmente agora com o atual momento do Japão) está oscilante e as marcas não estão podendo apostar em ideias muito conceituais, a série de desfiles com um clima fetichista deu uma boa apimentada no Inverno. Couro, transparências, comprimentos curtíssimos, silhuetas coladas, uniforme, pele desvendada por renda em lugares estratégicos e a influência da lingerie foram usados com maestria para compor looks ultrasexy, com espaço de sobra para pensamentos maliciosos. Ponto para a Louis Vuitton, que ainda atiçou o público com o humor característico de Marc Jacobs, que colocou meninas com roupas inspiradas em uniformes e cara de boa moça na passarela, só que com as mãos para trás, algemadas.
Mugler, Louis Vuitton e Stella McCartney
Christopher Kane, Ungaro e Alexander McQueen
Roberto Cavalli, Valentino e GivenchyCASACOS
Esta temporada mostra com quantos casacos se faz um bom inverno. Foi a grande aposta das marcas, que não economizaram em ideias e modelos. Jaquetas rígidas e estruturadas, casacos com formas arredondadas, estilo cocoon, paletós e sobretudos impecáveis. Tudo em uma oferta extensa de cores, formas e materiais. Ninguém vai escapar de comprar um casaco novo nessa estação, uma verdadeira arma contra a instabilidade do mercado.
Hermès, Charlotte Ronson e Isabel Marant
Givenchy, Roberto Cavalli e Rick Owens
Roberto Cavalli, Chanel e YSL
Haider Ackermann, Comme des Garçons e Phillip Lim
Rodarte, Marc Jacobs e Chloé
Marni, Narciso Rodriguez e Fendi
Celine, Comme des Garçons e Michael KorsPELE
Apesar das constantes manifestações do PETA, a moda não abre mão das peles. Sim, elas vieram em peso, reais em alguns casos, falsas em outros. Com a tecnologia atual, é possível – e mais correto – criar peles com a textura e a aparência das verdadeiras. Mas a novidade está mesmo nos tingimentos que deram às peles os lindos tons, do amarelinho ao vinho, criando um efeito pelúcia em alguns casos. De modelos curtos a casacões enormes, elas dominaram os desfiles não só nos casacos, mas em sapatos, bolsas, golas e mangas, este um dos grandes hypes da estação.
Ferragamo, DSquared2 e Isabel Marant
Ungaro, Missoni e Gucci
Lanvin, Dolce & Gabbana e Viktor & Rolf
Valentino, John Galliano e Alexander McQueen
Vera Wang, Alexander McQueen e YSLSONHOS
A alta-costura está cada vez mais moderna e, em alguns casos, chega a parecer com as coleções de prêt-à-porter. Sobra para os grandes eventos, casamentos, festas e premiações a função de fazer o mundo da moda continuar acreditando no sonho. Para muitas marcas esse é um filão quase tão importante quanto o de acessórios e seus desfiles sempre terminam com uma série matadora de vestidos luxuosos e glamourosos. Sua imagem serve para lembrar que, sim, ainda existe espaço, ocasião, encantamento e ideias para viver o lado mágico da moda.
Marchesa e Giambatista Valli
Ungaro, Carolina Herrera e Hervé Leger
Alexander McQueen, YSL e Prabal GurungPONCHO
Ponchos e capas apareceram em muitas passarelas como alternativa para o frio. Usado em looks monocromáticos, como no desfile da Lanvin, dava impressão que o poncho sobreposto fazia parte do vestido e vice-versa. Além do mais, essas peças trazem um ar de mistério, glamour e muito conforto.
Chloé, Hermès e Lanvin
Junya Watanabe, Rick Owens e ChanelBRILHOS, VINIL E METALIZADOS
Tecidos com brilho destacaram-se. Muitas marcas apostaram no couro com tratamento brilhante e peças envernizadas, de vinil ou efeito plastificado, resultando em uma mistura do glamour para a estação, que muitas vezes se esconde atrás do efeito opaco dos tons escuros. O metalizado também apareceu em roupas e acessórios, trazendo um divertido feeling 70’s à estação.
YSL, Lanvin e Balenciaga
Fendi, Hermès e Louis Vuitton
Givenchy, Ohne Titel e John Galliano
Derek Lam e Balmain
Stella McCartney e Zac Posen
Fendi, Dolce & Gabbana e HermèsMOSTRA-ESCONDE
Com lugar garantido no Inverno 2011, a transparência dá leveza aos look pesados do frio e também traz uma boa dose de sex appeal e fetiche. Tanto no jogo de mostra-esconde, quanto mostrando mais do que escondendo, rendas trabalhadas e tecidos translúcidos estiveram presentes nas coleções, deixando as roupas mais femininas e hot hot hot.
John Galliano, DSquared2 e Gucci
Vera Wang, Ferragamo e Ungaro
Chanel, Viktor & Rolf e KenzoBIRTH OF COOL
Stella McCartney, Isabel Marant, Vanessa Bruno, Phoebe Philo (estilista da Celine) e as irmãs Laura e Kate Mulleavy (Rodarte) sabem o que querem as mulheres. Delas não é esperado nada menos do que a tradução, em roupas, acessórios e styling, do que as meninas malucas por moda vão querer usar amanhã, sem muito espaço para grandes ousadias. E o segredo por trás do sucesso dessas estilistas está na forma como elas rapidamente captam essas vontades. Não que isso seja uma tarefa fácil.
Stella McCartney, Rodarte e Chloé
Marni e Isabel MarantAS BOLSAS
Miuccia Prada fez e muita gente foi atrás. A forma como as modelos seguravam as bolsas no desfile da Prada, como se as tivessem protegendo ou com pressa, não poderia ser mais real, afinal não é assim que a gente anda nas ruas, ao menos na loucura de São Paulo? Uma sensação de urgência, às vezes de perigo/medo, pressa, segurando firme para não cair, para ninguém pegar. Mais do que isso, o gesto trouxe atitude ao desfile e foi comentado por 10 entre 10 veículos de moda no globo.
Prada, Gucci e Chloé
A VOLTA DAS ANABELAS
Os escarpins também predominaram nos desfiles, mas a estação é do salto tipo Anabela, que aparece renovado em diversas maneiras, fazendo plataforma para mocassins, botas e sandálias.
Jil Sander, YSL e Marc Jacobswww.ffw.com.br
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